4 atualizações de Anthropic, OpenAI e Google: o padrão oculto
Três empresas atualizaram seus agentes de codificação quase ao mesmo tempo. As direções convergem. O verdadeiro campo de batalha não é o modelo: é a velocidade de absorção dos workflows dos desenvolvedores.
Na última semana, Anthropic, OpenAI e Google soltaram atualizações nos seus agentes de codificação praticamente ao mesmo tempo. À primeira vista, parece coincidência. Mas olhando de perto, a direção é a mesma nas quatro atualizações, e isso diz muito sobre onde esse mercado está indo.
Vou detalhar cada uma e depois mostrar o padrão que todas têm em comum.
Claude Code Remote Control: tchau, tmux
Quem usa Claude Code no servidor remoto vivia com a mesma dor de cabeça: precisava de uma combinação de tmux + Tailscale (ou VPN do seu gosto) pra conseguir acompanhar a sessão pelo celular. Funcional, mas cheio de gambiarras.
A Anthropic resolveu isso de forma elegante com o comando /remote-control. Você digita no terminal, aparece um QR code, escaneia no celular e pronto: você está dentro da sessão ativa, com acesso completo ao filesystem e aos servidores MCP configurados.
Detalhes que fazem diferença:
- Preview para usuários Max por enquanto, mas a sinalização é clara de que vem para todos
- QR code instantâneo: não tem aquele loop de “aguardando conexão” chato
- Reconexão automática quando você perde conexão (sim, isso acontece muito no celular)
- Filesystem e MCP intactos: você não perde contexto nenhum
Na prática, isso significa que você pode iniciar uma task longa no seu Mac de trabalho, ir embora, e continuar acompanhando e intervindo pelo iPhone no metrô. O agente não para, você não perde o fio da meada.
Cowork enterprise: o marketplace como campo de batalha
A atualização do Cowork (produto enterprise da Anthropic) é mais sutil, mas estrategicamente mais importante.
O centro da atualização é o marketplace de plugins por equipe. Cada empresa pode ter seu próprio marketplace interno, e isso muda completamente a dinâmica de adoção corporativa. Não é mais “a Anthropic aprova os plugins”, é “a sua empresa de TI curadoria e distribui para os times”.
O pacote veio recheado:
- 10 templates prontos para casos de uso comuns
- 12 conectores novos, com destaque para Docusign e FactSet (sinais claros de foco em finanças e jurídico)
- Formulários estruturados para capturar inputs do usuário de forma controlada
- OpenTelemetry nativo para observabilidade (o pessoal de SRE vai gostar)
- Formato Claude Agent SDK para quem quer construir agentes customizados
O movimento aqui é claro: a Anthropic quer ser o sistema operacional dos agentes de IA dentro das empresas. O marketplace interno é o equivalente corporativo da App Store, e quem controla o marketplace, controla a adoção.
Codex sub-agentes + Responses API WebSocket: separados, mas com sinergia real
A OpenAI soltou duas coisas que parecem independentes, mas se encaixam bem.
Codex com sub-agentes paralelos: agora você pode dividir uma task grande em sub-agentes que rodam em paralelo. Na prática, isso é o que o dev experiente já fazia abrindo múltiplas janelas do Codex e coordenando na mão. A diferença é que agora o próprio agente orquestra isso.
Responses API com WebSocket: ao invés de polling (faz request → espera → faz outro request → espera), o WebSocket mantém a conexão aberta. O número que a OpenAI divulgou é 20-40% mais rápido em cenários com 20+ chamadas consecutivas.
O Cline, que integrou cedo, reportou ~40% de melhoria em tasks multi-arquivo, exatamente o tipo de coisa onde latência acumulada mata a experiência.
A sinergia entre os dois: sub-agentes paralelos + WebSocket significa que você tem múltiplos agentes respondendo rápido ao mesmo tempo. O gargalo que era “esperar a próxima chamada da API” some do caminho crítico.
Gemini CLI Hooks: Google segue o playbook do Claude Code
Essa é a mais interessante do ponto de vista competitivo.
Em setembro do ano passado, o Claude Code introduziu o sistema de hooks, uma forma de injetar código customizado no loop do agente. No v0.26.0 do Gemini CLI, o Google fez exatamente a mesma coisa.
Os hooks disponíveis:
- BeforeTool: executa antes do agente usar qualquer ferramenta
- AfterAgent: executa depois que o agente conclui uma tarefa
E o sistema de configuração em 3 níveis (projeto, usuário, sistema) é quase idêntico ao que o Claude Code usa. Não é coincidência: é o Google sinalizando que essa é a interface correta pra dar controle do loop pro desenvolvedor.
Por que isso importa? Porque hooks são o que transforma um agente genérico em um agente que respeita as convenções do seu projeto. Você pode forçar formatação de código, validar antes de commitar, logar tudo para auditoria, integrar com seu CI/CD. É a diferença entre “um agente de IA” e “o agente de IA do meu time”.
O padrão que atravessa tudo
Olhando as quatro atualizações juntas, o padrão fica óbvio:
Todas estão absorvendo comportamentos que os usuários já tinham.
- Remote Control absorveu o setup tmux + Tailscale que os usuários inventaram
- Marketplace interno absorveu os scripts de distribuição de plugins que TIs corporativas faziam na mão
- Sub-agentes absorveram a coordenação manual de múltiplas janelas
- Hooks absorveram os wrappers de shell que devs escreviam pra interceptar o loop do agente
Isso não é crítica: é o caminho natural de maturação de qualquer plataforma. Mas tem uma implicação importante:
O verdadeiro campo de batalha não é o modelo.
Capacidade de modelo virou commodity mais rápido do que qualquer um esperava. O que diferencia as plataformas agora é a velocidade com que elas conseguem absorver os workflows que os usuários mais avançados inventam.
Quem observa melhor o que os early adopters fazem, codifica isso em features nativas, e reduz o atrito pra todo mundo: esse ganha. É menos uma corrida de benchmarks e mais uma corrida de product-market fit contínuo.
Os usuários estão sempre à frente. A plataforma que aprende mais rápido, vence.
Se você usa alguma dessas ferramentas no dia a dia, qual dessas quatro atualizações muda mais a sua rotina? Fico curioso pra saber nos comentários.
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